Em meados de junho do ano passado,meu cunhado voltou da Finlândia falando de frio,escuridão,almoço com copo de leite como bebida,coelhos selvagens do tamanho de capivaras e de música.Como eu havia citado algumas bandas locais como referência,cheguei a pensar que ele me contasse algo sobre as bandas de Black Metal que por lá nascem aos borbotões.Ou do Nightwish,do extinto Stratovarius,do HIM.
Mas ele me apresentou o video de uma cantora que fazia um som típico dos anos 50,60 nos Estados Unidos.Soul Music no melhor estilo Motown(pra quem não saca,a gravadora que explodiu lançando Marvin Gaye,Diana Ross e o Jackson Five,de onde surgiu um molequinho que viria a se transformar no maior fenômeno pop de todos os tempos).Soul Music misturada à Pop Music do século XXI.E uma pitada de Classic Rock.
Mais dois detalhes: a menina era loirinha...e nascida no País de Gales!
Seu nome é Duffy e ela não me encantou em um primeiro momento.Digamos que aminha impressão foi "ela está copiando o que se fazia nos anos 50 e 60,incluindo o cabelo e o vestido...lá vem mais uma Winehouse..."
Passados alguns meses,começei a ouvir a música que me foi apresentada tocando em rádios,na MTV e resolvi ir à caça do disco.
E então me rendi ao som da galesa!
"Rockferry" soa exatamente como a mistura citada algumas linhas acima.Mas tem algo em falta no mercado fonográfico atual.Tem pegada.Tem autenticidade,embora a fórmula original venha mesmo lááá de trás.
Duffy interpreta sem precisar muito esforço ,tampouco coreografias exageradas.Coloca a voz sobre a imagem,quando em video,e quando apenas ouvida,traz a impressão de estar disposta a lutar por um lugarzinho ao sol na ingrata indústria musical.
Vale a curiosidade de fugir,pra variar,do hit e buscar mais da recente obra da menina.
Além disto,ao vivo ela é acompanhada por um competente banda,da qual faz parte o 1º guitarrista do Suede,Bernard Butler(quem?)que me lembrou os melhores momentos da era de ouro da Soul Music.
Pra quem anda vendo a morena de cabelo de bolo(Ammy) lutando contra seu vício e seus escândalos,e deixando de lado uma carreira que até pode vir a ser boa,vale apostar na loirinha,que surge sem alarde,cantando com uma melancolia nada contagiosa.Ótima pedida para tardes quentes e pôr-do-sol tardio à beira-mar.
Aliás,Frejart ,em entrevista recente à um canal de TV aqui da região,diz que a melancolia traz mais criatividade que a alegria.Isso talvez explique sua melhora na condução da carreira,responsável por um ótimo disco como "Sobre nós dois e o resto do mundo".
Rabiscado na lama vermelha por sarneba quando ja eram 19:31
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